Escola de Senador Guiomard visita os espaços de memória da Usina de Arte

A Olimpíada de Língua Portuguesa deste ano traz como tema “O lugar onde vivo“. São inúmeras as estratégias que os professores vêm usando para trabalhar o tema com seus alunos. Uma delas é levar a garotada para visitar espaços de memória dos municípios. Aqui em Rio Branco, temos, entre outros, a Usina de Arte como um desses espaços.

imagem da internet

Com esse objetivo, a escola municipal Brigadeiro Eduardo Gomes, localizada no município de Senador Guiomard, agendou visita técnica para trazer duas turmas de 6º ano e duas de 7º à Usina de Arte.

fotografia: Bell Paixão

Estas séries devem produzir textos do gênero memórias literárias para participarem da Olimpíada (6ª edição). Entre outros objetivos, a ideia é levar os alunos a compreenderem o que é um museu e articulá-lo aos conceitos de memória, narrativa e identidade, bem como perceberem como objetos e imagens podem trazer lembranças de um tempo passado, e ainda observarem que as memórias podem ser ressignificadas por meio da transmissão oral, da arte e da escrita.

fotografia: Bruno

Pensando em mostrar um pouco da visita de forma lúdica, metafórica, literária e artística, deixamos aqui as MEMÓRIAS DE UM FANTASMA, texto do gênero memórias literárias produzido para contar esta história!

fotografia: Danielle Leão

Hoje amanheci cheia de nostalgia de um tempo que ainda insiste em estar aqui…

Logo às oito da manhã, eu ainda no torpor dos passeios gelados da madrugada, fui tomada por vozes e risos de muitas crianças. Eram meninos e meninas que chegavam de longe. Logo fui percebendo… tinham camisetas iguais, mochilas, cadernos. ES-CO-LA! De novo!

Eu, na minha invisibilidade, sentei embaixo da mangueira, minha árvore de oração, e fiquei a escutar uma voz, a mesma da sexta-feira passada, e de tantas outras vezes. A voz deu boas vindas e convidou as crianças para passearem por minha casa. Sim! Minha casa. Há muito tempo o lugar onde vivo. Ah! Esta usina tão minha! Aqui sou única. Mas já vivi por outras veredas desta terra chamada Acre. Já habitei estradas de seringa, onde era lenda e medo para muita gente. Já habitei aldeias indígenas do Juruá, onde me camuflava entre rios e matas. Já habitei as salas de um jornal antigo, cheio de máquinas hoje peças de exposição. Mas desde 1986, moro aqui, entre as ruínas da uma fábrica de castanha e as cores e formas das artes desta usina. Daqui não saio. Adotei este mundinho como minha última morada, porque aqui minhas memórias, de visita em visita, vão sendo ressignificadas por meio das vozes que narram muitas histórias e da arte que toma cada canto deste lugar. São as caldeiras, os silos, as máquinas de descascar castanha, as balanças enferrujadas, os linotipos, as caixinhas e bonecos das paredes, os lampiões, os registros dos guarda-livros, a moedora de cana, as pelas de borracha, os figurinos de época, e tantos outros objetos e imagens que me fazem chegar as lembranças do que já vivi. De onde vivi. Dos tempos em que esta usina não era meu lar ainda. Eu existo e resisto neles. Trazem-me  ao meu presente por meio das narrativas de um tempo passado. Daqueles tempos de outrora…

fotografia: Bell Paixão

Nesta manhã, em meio ao burburinho de vozes, ouvi uma criança comentar: “a usina é um museu cheio de acres!” Achei genial! Minha casa, este lugar onde vivo, é mesmo um museu cheio de acres. Ela, sempre acreditei, influencia seus alunos, seu público, seus visitantes a entenderem um pouco sobre eles mesmos, por trazer vivas essas memórias, essas lembranças, essas histórias dos acres-anos. Minha identidade está toda neste lugar, mas sei que também marcas da identidade destas crianças barulhentas que me tiraram da minha letargia mais cedo. E ainda de toda a gente acre-ana… maria, josé, luiz, sebastiana, justina, joaquim… enfim, deste povo não sei se índio, se nordestino, se libanês, se mistura de tudo isso.

Eu, saibam, fui menina, ainda menina sou, e assim menina ficarei para sempre, porque sou fantasma! A menina fantasma da usina. Meu mus-eu…

Usina de Arte recebe visita de alunos da Escola Sesc

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A Usina de Arte João Donato, como um dos principais centros culturais e de formação artística do estado, está sempre com as portas abertas para receber a comunidade, seja por meio de visitas programadas ou o público que chega sem agendamento, em geral turistas que circulam na cidade.

Como parte das atividades escolares, na última semana a Escola Sesc visitou a Usina trazendo alunos do ensino fundamental (5° anos) para conhecerem nossos espaços, instalações e artistas, além de receberem informações sobre atividades e produções culturais locais.

Segundo Fernanda Albuquerque, uma das coordenadoras pedagógicas da escola, “essa visita é importante para nossas crianças conhecerem os diferentes espaços culturais, artísticos e regionais da nossa cidade”. Ela conta que a escolha pela Usina de Arte se deu pelas várias experiências que podem ser proporcionadas na instituição.

Segundo Maria Gorete Moreira, uma das professoras das turmas, temas relacionados às artes foram estudados em sala de aula, surgindo daí a importância de trabalhar a criatividade artística que cada criança traz consigo. “Com isso, tivemos a oportunidade de trazê-los à Usina, onde os alunos puderam ver de perto e ter contato com o trabalho desenvolvido pelos artistas acreanos”, disse.

Para a aluna Acsa Vitória, de 10 anos, foi uma oportunidade de conhecer, além de artistas locais, a história da própria instituição. “Eu aprendi que no Acre também tem vários artistas e aprendi a história da Usina até ser o que é hoje”, disse. Asaf Tavares, de 10 anos, considerou a visita uma das melhores que já fez. “Eu acho que foi a melhor visita que eu já fiz, porque aqui as coisas são bonitas, organizadas e tem muitas coisas diferentes”.

Outra aluna, Ana Gabriela, 10 anos, também considerou uma das melhores visitações que já fez. “Lá na escola SESC tem várias obras diferentes, animais feitos de vários tipos de materiais e aqui tem obras de vários artistas e de vários materiais. Foi uma das melhores visitas que eu já fiz”, declarou entusiasmada Ana.