Retorno dos Cursos Ténicos do Pronatec da Usina de Arte João Donato

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Nesta segunda-feira, 04 de março, a Usina de Arte recebeu os educandos de Ensino Médio da rede pública de ensino, que retornaram as aulas nos cursos técnicos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico – Pronatec, dando prosseguimento ao projeto de formação profissional.

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Nas duas próximas semanas, estará sendo encerrado o primeiro módulo de estudo, que consiste na integração das diversas linguagens artísticas – Artes Dramáticas, Composição e Arranjo, Artes Visuais e Produção de Áudio e Vídeo.

Os educandos realizaram em dezembro de 2012 uma demonstração das habilidades desenvolvidas neste módulo com atividades práticas integradas denominadas O Fim do Mundo. Expuseram, durante o evento, trabalhos como apresentações musicais, exibição de vídeos, esquete teatral e instalações visuais.

O encerramento dos Cursos será em dezembro de 2013 com um projeto integrado a ser definido durante o processo dos módulos.

OFICINAS DE VOZ E COMUNICAÇÃO

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“Oficina de Voz e Comunicação – Nível Básico” direcionada a novos alunos, e  “Oficina de Voz e Comunicação – Nível Avançado”, direcionada a pessoas que já participaram de oficinas anteriores da atual instrutora Gabriela Lima.

Local das Oficinas: Usina de Arte João Donato

Datas: Nível Básico – 13,14,15 e 16 de março –

              Nível Avançado – 18 a 22 de março

Horário: 18h30 às 22h00

Dia 16/03 – 09h00 às 12h30 e das 14h30 às 17h00

Ambas as oficinas são direcionadas a todos os profissionais e estudantes envolvidos em atividades de formação, gestão e na multiplicação das atividades culturais, artísticas e esportivas, assim  como para os chamados “profissionais da voz” (também abrangendo estudantes), que são aqueles que utilizam a voz como instrumento de trabalho e estão inseridos no campo da arte, patrimônio cultural e esporte.

Inscrições através do email – oficina.artedecomunicar@gmail.com

Informações através do telefone: 68 – 8119-8353, 9921-1009 e 3229-6892

Haverá um sarau de encerramento, aberto ao público, dia 23/03 na Escola de Música.

PIANO SOLO COM CHICO CHAGAS

307945_165695903580837_1214140804_nO maestro Chico Chagas retornará ao palco da Usina de Arte nesta terça-feira, 19, às 20 horas, para mais uma apresentação gratuita de piano solo. A plateia será conduzida a uma grandiosa viagem de interpretações de clássicos da música erudita, do jazz e da MPB – Chopin, Chick Corea, Charles Chaplin, Tom Jobim, Milton Nascimento, Da Costa e Jorge Cardoso –, além das composições autorais do artista, que são elogiadas por Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Cristóvão Bastos, Guinga, Naná Vasconcelos, Nelson Faria, Paulo Moura e outros nomes de referência sonora no Brasil.

O CD “Um Chopin no Bach Ouvindo Forró”, o segundo de sua carreira, entrou como menção honrosa para a lista de “Os 100 Melhores Álbuns da Música Brasileira em 2012”, do portal Embrulhador (www.embrulhador.com), assinado pelo jornalista Ed Félix, que ouviu mais de 550 discos para realizar o julgamento. A publicação ainda coloca a faixa título na 75ª posição do ranking das 100 melhores músicas do ano passado. Os lançamentos de João Donato, Gaby Amarantos, Otto e Roberta Sá são outros exemplos que a seleção destaca.

“A maior felicidade de um artista é ver sua obra prestigiada. São duas vitórias: uma pela minha música ter sido escolhida e outra por ser uma música instrumental selecionada entre uma maioria de canções com letra”, comenta o maestro. A concepção da obra surgiu quando ele conheceu o “Forró de Domingo”, na Alemanha, que é o maior festival de forró da Europa. “Desde a primeira vez que toquei um clássico em ritmo de baião, com improvisações, fiquei motivado a registrar e compartilhar isso”, explica. Orgulhosos, os amigos não escondem a admiração.

“A presença de Chico Chagas em qualquer palco é a certeza de se ouvir música de verdade e de alta qualidade. Ele é um dos melhores músicos que o país produziu nos últimos anos. A generosidade de sua pessoa transborda para sua música. Uma música que vai além da sua técnica impressionante. Uma música que abraça, envolve e que emociona”, diz um dos membros da Academia Latina de Artes e Ciência da Gravação (ALACD), o maestro carioca Sérgio Roberto de Oliveira, indicado ao Grammy Latino, em 2011, na categoria “Melhor Composição Clássica Contemporânea”.

Local: Usina de Arte João Donato – Avenida das Acácias nº 1.155, Distrito Industrial, Rio Branco – Acre
Data | Horário: Dia 19 de fevereiro (terça-feira) às 20h
Entrada Franca!

Informações através do telefone 68 – 3229-6892

Palestra dia 25 e 26 na Usina de Arte

ESCOLAS DE CINEMA E ARTE – O que fazer com elas? VII capítulo

 

 No VII capítulo e último da série ESCOLAS DE CINEMA E ARTE – O que  fazer com elas?  Maurice Capovilla, através da experiência incrível vivenciada no Acre, comprova que a esperança é a única que não morre.

 

 Por Maurice Capovilla

VII. A USINA DE ARTE DO ACRE

                          

                        A volta por cima

O Núcleo de Produção Digital da Usina de Arte João Donato devolveu a esperança perdida de se montar um curso livre e regular de cinema sem morte prematura.

  

A Usina de Arte João Donato nasce da visão avançada de um Secretário de Educação, na época o professor Binho Marques, hoje governador do Estado do Acre, ao implantar uma escola de arte em Rio Branco sem um projeto pedagógico antecipado.  O curioso dessa iniciativa foi que a arquitetura, resultado da restauração de antiga fabrica de processamento de castanha, indicava claramente espaços com a destinação certa para uma escola livre de arte, onde poderiam conviver o teatro, o cinema, a música, as artes plásticas, a dança… E o que  considerássemos  arte.

Durante dois anos, entre 2005 e 2006, reuniões mensais foram realizadas com as áreas envolvidas, com  o objetivo de formatar o projeto de uma escola híbrida,  capaz de abrigar as múltiplas linguagens das artes e  preencher um espaço importante de formação artística.  Inaugurada em 24 de abril de 2006, a Usina começa a funcionar regularmente em 2007, com os Núcleos de Teatro, Cinema e Música.

O Núcleo de Cinema começa a se estruturar em meados de 2005, quando a Secretaria do Audiovisual do MinC  lança o Edital do Programa Olhar Brasil, visando criar em 11 estados do país,  através de convênios, os Núcleos de Produção Digital, destinados a implantar centros de formação e produção audiovisual em estados periféricos ao eixo Rio/São Paulo, com repasses de recursos e equipamentos  em alta definição (HD),  na previsão das mudanças  tecnológicas que iriam se implantar na área das Comunicações.

O Acre apresentou um projeto de formação, denominado Curso de Cinema e Vídeo e foi contemplado com um NPD. O projeto obteve em seguida registro na Lei Rouanet, visando patrocínios através de benefícios fiscais e previa um Curso de 2 anos,  com  um enfoque definido.

O Curso se propôs como objetivo principal: “formar realizadores polivalentes, capazes de criar e produzir bens culturais nas áreas do cinema, do vídeo e da televisão, visando a formação integral do estudante para o exercício da criatividade e colocar em prática novos métodos de ensino das artes audiovisuais a partir da concepção de que o conhecimento do mundo moderno e globalizado se transmite através de linguagens, códigos  e tecnologias que tem como suporte a imagem e o som”.

A partir desses princípios germinou a ideia do Curso se implantar como uma oficina de pesquisa voltada para a prática e desenhada para expressar a realidade do Acre.  “O objetivo era abrir espaço para uma nova geração de artistas e realizadores, futuros profissionais ecléticos, capazes de manejar com estilo pessoal, as várias linguagens artísticas audiovisuais com domínio das técnicas que são as ferramentas de expressão do nosso tempo”.

A novidade do projeto é sua formatação. O Curso iniciou-se no segundo semestre de 2007 com 40 alunos e a configuração dos conteúdos programáticos foi baseada em trimestres temáticos, cinco no total. Os três primeiros foram dedicados ao documentário, à linguagem da televisão e à ficção. Os dois últimos foram diluídos entre produção de projetos curriculares e Oficinas de Especialização. As disciplinas foram distribuídas em áreas de abordagem teórica, técnica e prática e foram ministradas em oficinas semanais, regulares, progressivas, modulares e interativas, de modo que, seus conteúdos estivessem diretamente ligados aos temas dos projetos de filmes propostos. A partir da formação polivalente resultante de três trimestres completos, o objetivo do Curso era capacitar especialistas nas diversas áreas, consumadas de forma incompleta em Produção, Edição de Imagem, Fotografia em HD e Captação de Som.  As áreas de Roteiro, Cenografia, Figurinos, Edição em HD, Maquinaria, Elétrica e Direção em Cinema, Vídeo e Televisão serão configuradas para se realizar em 2010.

O curso, encerrado em dezembro de 2009, graduou 19 alunos, que realizaram trabalhos individuais e participaram de projetos coletivos. Ao todo foram realizadas 46 Oficinas de 20 horas semanais perfazendo o total de 920 horas aula e realizados 29 filmes com durações variadas em curta e média metragem. 

Como resultado desse processo, os alunos graduados e outros incorporados, fundaram a Samaúma Cinema e Vídeo, uma associação corporativa preparada para atuar em todas as áreas do audiovisual do Acre, da difusão à produção, da atuação como agentes culturais à formação básica no ensino de segundo grau. Um grupo atuante que dará impulso colateral às iniciativas  levadas a cabo pelas  políticas públicas federais,  estaduais e municipais  na área do audiovisual.

O projeto do NPD ainda contempla a Oficina da Imagem e do Som, um item de interação com a Usina de Arte e com outras áreas artísticas da comunidade cultural, um espaço livre de criação aberto às  artes cênicas, plásticas e musicais  e voltado à produção independente local,  com o objetivo de funcionar como uma usina de ideias e linguagens que se interagem para criar e produzir projetos cênicos, musicais, filmes, vídeos, instalações, programas de rádio e televisão, abastecer os alunos  e os artistas em geral  de métodos e processos de trabalho e suprir suas necessidades de informação e pesquisa. Participarão da Oficina alunos, artistas, professores e realizadores locais integrados na ação de produzir bens simbólicos de reflexão da realidade cultural acreana tendo como epicentro a Imagem e o Som.

Há uma pergunta que se faz até hoje: para que servem as escolas de cinema no Brasil?  Antes respondia prontamente: servem para aglutinar jovens com um desejo imenso de fazer cinema… Agora posso completar:  é na escola que alunos e professores aprendem a aprender… A fazer e a amar o cinema…  Foi o que aconteceu no Acre.  A transformação de jovens com experiência e formação diversas, desconhecidos entre si, selecionados mais pela sensibilidade do que pela informação, que se integram em dois anos e meio no processo de fazer filmes e se formam como verdadeiros cineastas,  capazes de refletir a visão que se tem do Acre para num futuro próximo apresentá-la ao resto do país.

  É para isso que serve uma escola. 

Editais com inscrições abertas

Segue abaixo uma série de editais do setor audiovisual  que estão com inscrições abertas.
 
 
  1. Edital Longa Metragem de Ficção Para Roteiristas Profissionais

     

     Inscrições até 18 de março

  2. Edital Longa Metragem de Ficção para Roteiristas Estreantes

     

     Inscrições até 18 de março

  3. Edital Longa Metragem de Ficção ou Animação com Temática Infantil

     

     Inscrições até 18 de março

  4. Edital Longa Metragem de Ficção de Baixo Orçamento

     

     Inscrições até 18 de março

  5. Edital Curta Metragem de Ficção ou Documentário

     

     Inscrições até 18 de março

  6. Fundo Setorial do Audiovisual – Prodav 01/2009

     

     Inscrições prorrogadas até 9 de abril

  7. Fundo Setorial do Audiovisual – Prodecine 01/2009

     

     Inscrições prorrogadas até 5 de março

  8. Fundo Setorial do Audiovisual – Prodecine 02/2009

     

    Inscrições prorrogadas até 5 de março

  9. Fundo Setorial do Audiovisual – Prodecine 03/2009

     

     Inscrições prorrogadas até 5 de março

  10. Fundo Ibermedia 2010 – audiovisual

     

     Inscrições até 15 de fevereiro
    __________________________________
    Unidade Técnica – Olhar Brasil

    Visite o blog:
    http://olharbrasil.cultura.gov.br

ESCOLAS DE CINEMA E ARTE – O que fazer com elas? VI capítulo

 No VI capítulo, Maurice Capovilla, nos apresenta uma experiência fantástica que estava dando certo e que infelizmente veio a ser interrompida.

 

 Por Maurice Capovilla

VI.  O DRAGÃO DO MAR

                                          

                       Nostalgia sepultada

                        1996-99

                       O Dragão do Mar foi a última tentativa de implantar no Nordeste uma escola inspirada nas ideias de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro. O Brasil, mais uma vez, perdeu mais um bonde na história.                                        

 O Instituto Dragão do Mar de Arte e Indústria Audiovisual do Ceará durou, conforme foi inicialmente concebido, três anos. Tempo mais do que suficiente para testar algumas ideias que fomos recolhendo durante os últimos trinta e tantos anos. Não foi um produto acabado nem chegou a se consolidar, pois estava em processo de ajuste e aperfeiçoamento.

O Dragão surge, num primeiro momento, como um agente transformador de uma realidade regional e com a finalidade de preparar com eficiência os criadores de um mundo novo e expandir para muitos, o conhecimento das artes, das técnicas e dos ofícios indispensáveis à vida humana no ano 2.000.

Para levar avante essa utópica meta, de conformidade com a vontade política do então Secretário de Cultura Paulo Linhares, definiu-se o Dragão como uma “escola múltipla de artes”, inserida no contexto geopolítico de um mundo bipartido entre globalismos e regionalismos, entre sistemas transnacionais de poder militar, político e econômico e regimes de países e estados periféricos que lutam para preservar a nacionalidade, a cultura e a identidade de seus povos. Um mundo cuja marca registrada de sobrevivência será a competência e a conformidade das raízes históricas e culturais com os meios mais sofisticados de informação e comunicação.

Implanta-se então a escola a partir de um Centro de Dramaturgia, sob a direção de Orlando Senna, com duração prevista de dois anos enquanto formatam-se os projetos de um Centro de Estudos Básicos e dos Centros de Produção Audiovisual e de Design nos moldes da qualificação massiva e ao mesmo tempo especializada, para formar o técnico e o artista, num quadro estatístico de resultados relevantes.

No âmbito do Centro de Estudos Básicos foram oferecidas, em três anos, 19.500 vagas, realizados 185 cursos de formação, atendidos 40 municípios, certificados 6.500 alunos e capacitados 1.500 cidadãos de todas as classes sociais e que passam a exercer funções técnicas e artísticas nas diversas áreas da indústria cultural do Ceará.

Paralelamente a isso, os Centros de Dramaturgia, Produção Audiovisual e Design, com cursos de dois anos, formaram dramaturgos, roteiristas, diretores de teatro, diretores de cinema e televisão, atores, atrizes, coreógrafos, dançarinos, designers, cenógrafos, figurinistas, artistas plásticos, decoradores, fotógrafos, diretores de som, editores de cinema e televisão, produtores, animadores culturais, enfim, uma gama de profissionais que atuam nas áreas culturais do Ceará.

Essa escola revolucionária que não existia na realidade do Brasil tomou a forma cromática e multifacetada do corpo mítico de um dragão criado pelo artista plástico cearense Chico da Silva e que se tornou a síntese visual, ideológica e estética do Instituto Dragão do Mar.

Uma escola cujas disciplinas, não importa a área que pertençam, são consideradas expressões culturais encaradas na perspectiva de um diálogo permanente de cruzamento de experiências teóricas, técnicas, estéticas e de difusão.

Nesse sentido o Dragão investiu na sensibilidade do mestre que é ao mesmo tempo professor e artista, único visionário capaz de colar os cacos do grande vaso da sabedoria onde sempre estiveram presentes a poesia, dramaturgia, o teatro, a mímica, a música, a dança, as artes visuais contemporâneas, a fotografia, o cinema, o vídeo e a televisão, as novas tecnologias da imagem e do som e a cantoria do sertão, o bumba meu boi, a tradição oral e artesanal e todas as linguagens que formam a grande arte do nosso povo.

No conceito pedagógico do Dragão, a palavra chave é a “transdisciplinaridade”, que poderíamos traduzir por antilinearidade na troca de informação, ou mais simplesmente, “multidisciplinaridade”, mixagem, hibridismo e para ser anti-acadêmico, impureza na apropriação da técnica e da produção de obras de arte emancipadas e distanciadas de qualquer classificação histórica tradicional.

Para se chegar a esse estágio, foi necessário que as disciplinas se misturassem ao sabor das preferências e necessidades de alunos e professores, a partir de um projeto conceitual maduro e aprofundado e que teve como norma a liberdade de escolha de variadas formas do ver e do saber fazer, acompanhando e talvez, antecipando a evolução possível da expressão artística do próximo século.

Nesse espaço indivisível os estudantes produzem suas obras em dimensão real, prontas para a difusão, com a assistência de artistas e professores de renome nacional e internacional.

Por sua vez, os mestres artistas das diferentes disciplinas, também se obrigam a realizar, com os meios técnicos disponíveis, obras com a assistência dos alunos, na confluência de um intercâmbio antagônico, talvez competitivo, porém dinâmico na relação criadora entre as gerações.

A visualização do Dragão, nos termos propostos, é um chão de fábrica, ou mais precisamente, um ateliê, um estúdio, um palco, um laboratório, uma oficina, um centro de computação gráfica, enfim, o espaço físico do trabalho necessário para a configuração prática do   espaço intelectual  e virtual de pesquisa e busca das fontes da teoria e do saber.

Uma escola dessa forma concebida pressupõe a interação, em nível pedagógico, com o que se faz de arte no Brasil e no mundo, procura intercâmbio com alunos e professores de outros estados e países sem perder de vista os alicerces culturais e sociais sobre os quais está plantada.

Antes de tudo, o Dragão do Mar, homenagem ao herói libertário da escravidão no Brasil, foi uma experiência cearense, no momento da passagem do século onde se realiza a tese de escolas do primeiro e do terceiro mundo reunidas numa só, a partir da concepção de que é possível oferecer a qualquer indivíduo, não importa sua origem, classe social ou escolaridade, os instrumentos técnicos, estéticos e teóricos adequados para que sua expressão o qualifique como um cidadão. Enfim, uma oferta de aprendizado das artes que constituem meios fundamentais de comunicação entre os homens.

O Dragão do Mar, pela dimensão que assumiu, nesses três anos de atuação, cumpriu em grande parte as metas previstas em sua criação. Mobilizou tanto a sociedade de uma forma geral, quanto à cultura cearense de maneira específica, atuou sobre milhares de jovens ávidos de conhecimento e deixou com certeza a sua marca gravada na mente de quem passou sem querer, alguma vez, na frente de um evento qualquer, seja um filme, um quadro, uma peça de teatro, uma rede artesanal, uma moringa de barro, um boi de presépio, um verso rimado, um mamulengo esquisito, enfim, alguma coisas original e bem feita, que a partir do seu criador passou a ser um objeto com valor, para ser visto e assimilado, vendido e comprado, cumprindo, portanto sua missão de criar condições de trabalho e mercado para o artista.

Centro de debate, laboratório de pesquisa, oficina de trabalho, ponto de referência do ensino democrático da arte e da cultura no Brasil, o Dragão do Mar foi e deveria continuar sendo um processo de livre e permanente criação aberto aos cearenses e a todos os brasileiros.

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