Arraial Usina na Roça

O clima de São João chega nesta sexta, 19, na Usina de Arte João Donato a partir das 18h. É a 5 edição do arraial artístico da Usina, que este ano traz o tema “Do nordeste ao Acre: chita, xilo e cordel.”

foto: Edson Bruno

Seguindo a tradição das outras edições, a festa promoverá um divertido encontro da comunidade com apresentações artísticas, tecido acrobático com Tecidos Apaixonados comidas típicas, quadrilha junina, brechó, sebo, exposição de artes plásticas, bingo de obras de arte e muito forró, xote e chorinho.

Um dos destaques do arraial será a performance, no palco, de alunos do curso de Cordel e Xilogravura. Junto com o artista popular e professor da turma, Cícero Farias, eles irão brincar com versos improvisando rimas.

foto: Edson Bruno

O arraial Usina na roça é uma realização do governo do Acre por meio da Fundação Elias Mansour e acontecerá na Usina de Arte, localizada no bairro Distrito Industrial, 1155, Av. das Acácias, próximo à UFAC.

foto: Rosilene Nobre

Venha brincar conosco e dançar um bom arrasta pé no arraial mais artístico da cidade. Chega mais, pessoar!

Escola de Senador Guiomard visita os espaços de memória da Usina de Arte

A Olimpíada de Língua Portuguesa deste ano traz como tema “O lugar onde vivo“. São inúmeras as estratégias que os professores vêm usando para trabalhar o tema com seus alunos. Uma delas é levar a garotada para visitar espaços de memória dos municípios. Aqui em Rio Branco, temos, entre outros, a Usina de Arte como um desses espaços.

imagem da internet

Com esse objetivo, a escola municipal Brigadeiro Eduardo Gomes, localizada no município de Senador Guiomard, agendou visita técnica para trazer duas turmas de 6º ano e duas de 7º à Usina de Arte.

fotografia: Bell Paixão

Estas séries devem produzir textos do gênero memórias literárias para participarem da Olimpíada (6ª edição). Entre outros objetivos, a ideia é levar os alunos a compreenderem o que é um museu e articulá-lo aos conceitos de memória, narrativa e identidade, bem como perceberem como objetos e imagens podem trazer lembranças de um tempo passado, e ainda observarem que as memórias podem ser ressignificadas por meio da transmissão oral, da arte e da escrita.

fotografia: Edson Bruno

Pensando em mostrar um pouco da visita de forma lúdica, metafórica, literária e artística, deixamos aqui as MEMÓRIAS DE UM FANTASMA, texto do gênero memórias literárias produzido para contar esta história!

fotografia: Danielle Leão

Hoje amanheci cheia de nostalgia de um tempo que ainda insiste em estar aqui…

Logo às oito da manhã, eu ainda no torpor dos passeios gelados da madrugada, fui tomada por vozes e risos de muitas crianças. Eram meninos e meninas que chegavam de longe. Logo fui percebendo… tinham camisetas iguais, mochilas, cadernos. ES-CO-LA! De novo!

Eu, na minha invisibilidade, sentei embaixo da mangueira, minha árvore de oração, e fiquei a escutar uma voz, a mesma da sexta-feira passada, e de tantas outras vezes. A voz deu boas vindas e convidou as crianças para passearem por minha casa. Sim! Minha casa. Há muito tempo o lugar onde vivo. Ah! Esta usina tão minha! Aqui sou única. Mas já vivi por outras veredas desta terra chamada Acre. Já habitei estradas de seringa, onde era lenda e medo para muita gente. Já habitei aldeias indígenas do Juruá, onde me camuflava entre rios e matas. Já habitei as salas de um jornal antigo, cheio de máquinas hoje peças de exposição. Mas desde 1986, moro aqui, entre as ruínas da uma fábrica de castanha e as cores e formas das artes desta usina. Daqui não saio. Adotei este mundinho como minha última morada, porque aqui minhas memórias, de visita em visita, vão sendo ressignificadas por meio das vozes que narram muitas histórias e da arte que toma cada canto deste lugar. São as caldeiras, os silos, as máquinas de descascar castanha, as balanças enferrujadas, os linotipos, as caixinhas e bonecos das paredes, os lampiões, os registros dos guarda-livros, a moedora de cana, as pelas de borracha, os figurinos de época, e tantos outros objetos e imagens que me fazem chegar as lembranças do que já vivi. De onde vivi. Dos tempos em que esta usina não era meu lar ainda. Eu existo e resisto neles. Trazem-me  ao meu presente por meio das narrativas de um tempo passado. Daqueles tempos de outrora…

fotografia: Bell Paixão

Nesta manhã, em meio ao burburinho de vozes, ouvi uma criança comentar: “a usina é um museu cheio de acres!” Achei genial! Minha casa, este lugar onde vivo, é mesmo um museu cheio de acres. Ela, sempre acreditei, influencia seus alunos, seu público, seus visitantes a entenderem um pouco sobre eles mesmos, por trazer vivas essas memórias, essas lembranças, essas histórias dos acres-anos. Minha identidade está toda neste lugar, mas sei que também marcas da identidade destas crianças barulhentas que me tiraram da minha letargia mais cedo. E ainda de toda a gente acre-ana… maria, josé, luiz, sebastiana, justina, joaquim… enfim, deste povo não sei se índio, se nordestino, se libanês, se mistura de tudo isso.

Eu, saibam, fui menina, ainda menina sou, e assim menina ficarei para sempre, porque sou fantasma! A menina fantasma da usina. Meu mus-eu…