
A Chegada…
Saímos de Rio Branco na madrugada do dia 25 de janeiro, rumo a Belém do Pará, sede da nossa ousada missão. Mesmo voando, Belém parecia não chegar nunca! Estávamos em pleno horário de verão, e de Rio Branco até Belém passamos por três fusos horários. Ainda em Brasília, em parte nos separamos, eu e Juliana partimos em um voo e logo depois, em outro voo, Felipe e Ítalo. Chegando ao aeroporto de Belém, fomos recepcionados por duas coisas lindas e tradicionais da cidade: um grupo de carimbó e uma chuva torrencial saudavam todos os que chegavam.
Depois da equipe do NPD Acre toda reunida no aeroporto de Belém, almoçamos juntos e partimos para as devidas casas que gentilmente nos foram cedidas. Uma das casas anfitriãs, é da acriana Rejane e da paraense Tereza, que receberam Juliana e eu muito bem em um pequeno apartamento no bairro Pedreira. A outra casa anfitriã recebeu Ítalo e Felipe, e é na verdade uma república aconchegante e simpática chamada Casa Preta, que fica no bairro Canudos.
Já mais a noite, nos reunimos de novo e fomos passear um pouco, sentir o clima da cidade. Iniciamos o passeio pela Estação das Docas, um tradicional ponto turístico da cidade. O lugar é lindo, fica a beira da baía de Guajará, onde corre um vento bom. Lá provamos o tão falado sorvete da Cairu e encontramos o amigo Renato Reis, fotógrafo paraense que nos levou para um extenso e divertido passeio entre o famoso mercado Ver-o-Peso, praça do Relógio, Mormaço e Cidade Velha. Ainda na mesma noite, conhecemos um dos membros da equipe do NPD de Belém, o diretor Roger Elarrat, que depois de algum tempo de conversa, fez a gentileza de deixar todos nas suas devidas casas.
A Realização…
No dia seguinte, nos reunimos pela manhã no Instituto de Artes do Pará – IAP, e lá conhecemos a coordenadora do núcleo, Ana Lobato, bem como todos os colegas do NPD Belém: a produtora Camila Leal, o produtor Gustavo Nogueira, o técnico de som Mário Ribeiro, o fotógrafo Bruno de Assis e o diretor Roger Elarrat. Conversamos bastante sobre o roteiro inicial do documentário, que foi rabiscado por várias mãos do NPD Acre e incorporou boas idéias do NPD de Belém. Estava claro que não íamos fazer uma cobertura do Fórum Social Mundial e sim íamos fazer um recorte em meio a diversidade de assuntos e situações que provavelmente encontraríamos durante o Fórum. Nossa idéia era de um recorte sobre a fome com todas as suas vertentes objetivas, subjetivas, sociais, políticas, ideológicas, conotativas e denotativas. Parafraseando a música dos Titãs, pensamos em buscar respostas para a pergunta cantada na música Comida: “Você tem fome de quê?”. Depois do roteiro, esmiuçamos a programação do fórum, falamos sobre equipamentos, divisão de equipes e demandas de produção. Depois disso, almoçamos todos juntos e fomos até as duas universidades (UFRA e UFPA) que abrigariam a maior parte da programação do Fórum Social Mundial. Lá fizemos o credenciamento de todos os membros das duas equipes.
Dia 27/01 pela manhã, novamente nos reunimos no IAP para acertar demandas de produção e planejarmos o que faríamos no dia. O fórum teve como pontapé inicial a Marcha Pela Paz, marcada para as 15h, e foi aí também que começamos as gravações. A duas equipes se dividiram e ambas saíram em busca de depoimentos e imagens para o documentário durante o percurso da marcha. Logo nos primeiros passos da marcha, a já esperada chuva de todas as tardes, desabou sobre a multidão que ocupava as ruas de Belém. Munidos de guarda-chuvas e sacos plásticos, as duas equipes continuaram o trabalho sem grandes problemas. Depoimentos, imagens e gente, muita gente. Segundo a organização, cerca de 100 mil pessoas caminharam pela paz. As duas equipes voltaram a se encontrar no ponto final da marcha, a Praça do Operário, e foi por ali também que encerramos nosso primeiro dia de gravações.
Nos dias seguintes o trabalho começou mais cedo e já por volta das 7h da manhã estávamos todos dentro de uma van alugada pela produção do NPD Pará, rumo a UFRA, local base para o nosso café da manhã e planejamento do dia. Logo nos dois primeiros dias as equipes se misturaram, trocaram idéias e acharam suas funções, bem como nos perdemos um pouco do foco inicial, o que é natural considerando a diversidade de mundos que nos deparamos no decorrer do fórum. No terceiro dia de gravação, tivemos uma conversa e discorremos sobre o que cada equipe havia feito, e sinto que a partir daí tivemos mais firmeza e clareza para continuar o trabalho.
Entrevistamos pessoas de várias partes do mundo, Nigéria, Itália, Equador, Cisjordânia, Brasil e tantos outros lugares, com fomes semelhantes e distintas. Colhemos imagens de barraquinhas de comida, de pizza da paz, de comida vegetariana, frutas, restos de comida, lixo, placas, mochilas, pés, rostos… Pegamos muito sol, chuva, andamos de barco, a pé, de carro, de ônibus e bicicleta. Tudo isso nos rendeu aproximadamente 30 horas de gravação.
A experiência de produção coletiva, criativa e técnica entre o Núcleo de Produção Digital daqui e o Núcleo de Produção Digital de Belém, foi sem dúvida um grande aprendizado para todos. Buscamos nossas semelhanças, bem como também reconhecemos e aprendemos com as nossas diferenças, além de claro, criar laços de amizade entre os integrantes dos dois núcleos. Agradecemos muito o carinho e atenção com que os colegas do núcleo do Pará nos receberam.
O próximo passo agora é decupar todas as fitas gravadas. Por aqui, vamos decupar 15 fitas e em Belém, serão decupadas as outras 15. Feito isso, representantes do núcleo de Belém virão até Rio Branco para editarmos e finalizarmos o fruto da produção dos dois núcleos, porém, ainda não temos data definida para o início da edição.
Por: Talita Oliveira



Abraços, Wander.
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